Open Access Peer-Reviewed
Artigo Original

Prevalência da doença renal crônica em um município do sudeste do Brasil

Prevalence of chronic kidney disease in a city of southeast Brazil

Lucas Ferreira Alves; Thalles Trindade de Abreu; Núbia Chouchounova Silva Neves; Flávio Augusto de Morais; Isabela Lourdes Rosiany; Wander Valadares de Oliveira Júnior; Sérgio Wyton Lima Pinto; Alba Otoni

DOI: 10.5935/0101-2800.20170030

RESUMO:

INTRODUÇÃO: A doença renal crônica (DRC) é um impactante problema de Saúde Pública nos dias atuais no Brasil e no mundo.
OBJETIVO: Investigar a prevalência estimada de doença renal crônica em pacientes diabéticos e hipertensos de alto risco cardiovascular cadastrados no Hiperdia em um município do sudeste do Brasil.
MÉTODOS: Estudo transversal realizado entre maio de 2014 e agosto de 2015. Incluídos de forma aleatória 243 pacientes com diabetes e/ou hipertensão de alto risco cardiovascular que foram referenciados da atenção básica em saúde para o Hiperdia. A DRC foi classificada com base na causa, na categoria da taxa de filtração glomerular (TFG) e razão albumina/creatinina (RAC). Foram consideradas anormalidades TFG < 60 mL/min/1,73m2 e/ou RAC = 30 mg/g. Os dados foram coletados em dois momentos: no início do estudo e seis meses após a primeira coleta.
RESULTADOS: Dos 243 pacientes, 89 (36,6%) apresentaram alteração nos marcadores de função renal na primeira coleta. Destes, 60 pacientes apresentaram TFG < 60 mL/min/1,73 m2 e em 25 a TFG foi < 45 mL/min/1,73 m2. A RAC foi = 30 mg/g em 43 pacientes e, em oito destes, os valores foram > 1000 mg/g. Em 15 pacientes foram encontradas ambas as alterações estudadas. Dos 89 participantes com alteração dos marcadores de função renal na primeira coleta, 63 realizaram a segunda coleta e 42 mantiveram as alterações, sendo diagnosticados com DRC. Nenhum desses pacientes tinha o conhecimento prévio desse diagnóstico e da necessidade da consulta com o nefrologista.
CONCLUSÃO: A prevalência de DRC foi de 17,3% da doença na população estudada.

Palavras-chave:
albuminúria; insuficiência renal crônica; prevalência; taxa de filtração glomerular.

ABSTRACT:

INTRODUCTION: Chronic kidney disease (CKD) is a worldwide public health alarming problem.
OBJECTIVE: This study investigated the estimated prevalence of kidney disease in diabetic and high-risk hypertensive patients to cardiovascular disease registered in Hiperdia program of a city of southeast of Brazil.
METHODS: It is a transversal study conducted between May 2014 and August 2015. The study has included randomly 243 diabetic and high-risk hypertensive patients to cardiovascular disease which were originally referred from primary health care to the Hiperdia. CKD was classified based on cause, Glomerular Filtration Rate (GFR), and albumin creatinine ratio (ACR). Were considered abnormalities GFR < 60 mL/min/1.73m2 and/or ACR = 30 mg/g.
RESULTS: Of the 243 patients, 89 (36.6%) showed alterations in renal function markers in the first collection. Of these, 60 patients had a GFR < 60 mL/min/1.73 m2 and 25 the GFR was < 45 mL/min/1.73 m2. The ACR was = 30 mg/g in 43 patients and eight of the values were > 1000 mg/g. In 15 patients studied were found both changes. Of the 89 participants with abnormal renal function markers in the first collection 63 held the second test and 42 kept the changes being diagnosed with CKD. None of these patients had prior knowledge of the diagnosis of kidney disease and the need for consultation with the nephrologist.
CONCLUSION: The prevalence of CKD was 17.3% of disease in the population studied.

Keywords:
albuminuria; glomerular filtration rate; prevalence; renal insufficiency, chronic.

Citação: Alves LF, Abreu TT, Neves NCS, Morais FA, Rosiany IL, Oliveira Júnior WV, et al. Prevalência da doença renal crônica em um município do sudeste do Brasil. Braz. J. Nephrol. (J. Bras. Nefrol.) 39(02):126. doi:10.5935/0101-2800.20170030
Recebido: July 06 2016; Aceito: August 29 2016

INTRODUÇÃO

A doença renal crônica (DRC) é considerada um grande problema de saúde pública em todo o mundo, causando grande impacto negativo na expectativa e qualidade de vida de seus portadores e demandando parte significativa dos recursos alocados para a saúde.1 Atualmente, a DRC é definida pelas Diretrizes para Avaliação e Manuseio da Doença Renal Crônica na Prática Clínica (Kidney Disease Improvement Global Outcomes - KDIGO)2 como sendo anormalidades funcionais ou estruturais dos rins, presentes por mais de três meses, com implicações para a saúde do paciente.

A avaliação do acometimento renal é recomendada por meio da avaliação da albuminúria principalmente pela razão albumina/creatinina urinárias (RAC) e a avaliação da função renal, por meio da estimativa da taxa de filtração glomerular (TFG), utilizando-se conjuntamente os valores de creatinina sérica em uma das diversas equações disponíveis.2

No Brasil, há poucos dados sobre DRC não dialítica, porém, uma análise de dados laboratoriais de adultos brasileiros de todas as regiões revelou que 2,3% das amostras analisadas aleatoriamente apresentavam TFG < 45 mL/min/1,73 m2, o que representaria uma estimativa de cerca de 2,9 milhões de brasileiros com função renal moderada para severamente diminuída (estágio 3b).3 Dados do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA)-BRASIL demonstraram prevalência de 9,9% de TFG diminuída (< 60 mL/min/1,73m²) em adultos brasileiros com diabetes.4 Quanto aos pacientes em terapias renais substitutivas, estima-se que estes representam em torno de 112.000 brasileiros.5

Segundo o Censo Brasileiro de Diálise (2014), os principais diagnósticos de base dos pacientes em diálise são a hipertensão arterial e o diabetes mellitus.5 Assim, rastrear os pacientes com hipertensão e com diabetes permite o diagnóstico precoce da DRC, particularmente nos estágios iniciais, quando a doença é assintomática e possibilita a implementação de intervenções que diminuem a velocidade de progressão e as complicações da doença.6,7

No Brasil o programa Hiperdia foi criado pelo Ministério da Saúde para possibilitar a gestão do cuidado com a vinculação dos pacientes hipertensos e diabéticos à unidade básica ou equipe de saúde por meio do cadastro. Esse é um sistema informatizado que permite cadastrar e acompanhar de forma contínua a qualidade clínica e o controle desses agravos e seus fatores de risco na população de pacientes com hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus, captados e vinculados às unidades de saúde ou equipes da Atenção Básica do SUS. Além disso, gera informações para profissionais e gestores das secretarias municipais, estaduais e Ministério da Saúde.8

Considerando a forma epidêmica com que a DRC vem se instalando na população em geral e a escassez de estudo de prevalência dessa doença, este estudo teve como objetivo investigar a prevalência de DRC em pacientes diabéticos e hipertensos de alto risco para doenças cardiovasculares cadastrados no programa Hiperdia de um município de médio porte/MG.

MÉTODOS

Aspectos éticos

Este estudo foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de São João Del-Rei (parecer nº 716752). Todos os pacientes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Delineamento e população do estudo

Trata-se de um estudo observacional transversal, realizado no período de março de 2014 a agosto de 2015. Os pacientes foram selecionados das Unidades de Atenção Primária à Saúde da área urbana de um município de médio porte de Minas Gerais, compreendendo 24 no total. Atualmente, estão cadastrados no programa Hiperdia em torno de 13.000 pacientes entre diabéticos e hipertensos. Destes, 3.064 foram classificados como hipertensos de alto risco para doenças cardiovasculares segundo protocolo da Secretaria Estadual de Minas Gerais, programa Hiperdia: Estratificação de Risco (2012) e 560 como diabéticos, totalizando 3.624 pacientes.

Este número foi considerado para a realização do cálculo amostral, bem como a prevalência de 9,9% de TFG diminuída (< 60 mL/min/1,73m²) em adultos brasileiros com diabetes participantes da linha de base do (ELSA) - BRASIL)4 e nível de confiança de 99%, sendo estimado, portanto, um número de 224 pacientes. Considerando uma perda de 10%, foram coletadas amostras de 243 pacientes de 24 unidades de saúde.

Protocolo da Secretaria Estadual de Minas Gerais (SES), programa hiperdia: estratificação de risco (2012)9

Para a classificação de risco cardiovascular, a SES/MG utiliza-se o escore de Framingham, adotado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Esse escore é baseado em valores numéricos, positivos e negativos, a partir de zero, de acordo com o risco atribuível aos valores da idade, pressão arterial, colesterol total, HDL, tabagismo e diabetes.

Cada escore obtido corresponde a um percentual da probabilidade de ocorrência de um evento cardiovascular em 10 anos: morte coronariana, infarto do miocárdio, insuficiência coronariana, angina, acidente vascular encefálico isquêmico e hemorrágico, ataque isquêmico transitório, doença arterial periférica e insuficiência cardíaca em pessoas de 30 a 74 anos de idade sem doença cardiovascular no exame de base. Assim, indivíduos de baixo risco teriam uma probabilidade menor que 10% (escore < 3 - 10); médio risco, entre 10% e 20% (escore 11- 14) e alto risco, igual ou maior que 20% (escore > 14).9

O valor é cadastrado no SISHIPERDIA (Sistema de Gestão Clínica de Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus da Atenção Básica) e associado a outros fatores de risco como obesidade (índice de massa corporal - IMC - acima de 30 kg/m²), uso de bebidas alcoólicas (sim ou não), dislipidemia (triglicérides acima de 150 mg/dL, LDL-colesterol maior que 100 mg/dL e HDL-colesterol menor que 40 mg/dL) e sedentarismo (sim ou não). Esses pacientes são classificados como baixo risco, risco moderado e alto risco para doenças cardiovasculares.9

Coleta de dados

Os pacientes foram selecionados diretamente do cadastro do programa Hiperdia de Divinópolis/MG de forma aleatória, por sorteio eletrônico, entre pacientes com hipertensão de alto risco para doença cardiovascular e diabetes. O sorteio obedeceu à proporção de número de pacientes cadastrados em cada Unidade. Aqueles selecionados foram então contatados e convidados a participar do estudo. Os critérios de exclusão foram: pacientes na vigência de doenças agudas, doenças autoimunes, neoplasias, soropositividade para HIV, gravidez, incapaz de assinar o TCLE e aqueles cadastrados em unidade de saúde rural.

Os pacientes que apresentaram alteração nos marcadores de acometimento renal na primeira coleta foram convidados a participar de mais uma coleta, seis meses após a primeira, para avaliar a presença da DRC pela alteração persistente dos marcadores de acometimento renal (TFG < 60 mL/min/1,73m² e/ou RAC > 30 mg/g). Durante as coletas, foi aplicado um questionário sociodemográfico com informações adicionais e foram coletadas amostras de sangue e da primeira urina da manhã.

Amostras biológicas

Foram coletadas amostras de 10 mL de sangue venoso na região anticubital em tubos de soro e EDTA do sistema Vacutainer (Becton Dickinson), após um período de 10-12h em jejum. Além disso, também foi coletada uma amostra da primeira urina da manhã em frasco estéril. A primeira coleta ocorreu no período de agosto a novembro de 2014 e incluiu os 243 pacientes com diabetes e hipertensão de alto risco cardiovascular. A segunda coleta foi realizada entre os meses de fevereiro a abril de 2015 e foram convidados a participar os 89 pacientes que apresentaram algum indício de acometimento renal nos parâmetros avaliados na primeira coleta (TFG < 60 ml/min/1,73m² e/ou RAC > 30 mg/g). No entanto, por motivos diversos, não foi possível realizar a coleta de 26 pacientes, totalizando 63 pacientes. As amostras de sangue foram centrifugadas a 3500 rpm, à temperatura ambiente, por 15 minutos, em centrífuga CentriBio®, para a obtenção do soro e plasma. Estes foram aliquotados em tubos Eppendorf® e armazenados a -80ºC juntamente com as alíquotas de urina até o momento que seria realizado as dosagens de creatinina sérica, creatinina urinária e albuminúria.

Exames laboratoriais

As dosagens de creatinina sérica e urinária foram determinadas por teste cinético colorimétrico, utilizando Kit da Bioclin® K067 (Belo Horizonte/MG - Brasil). A TFG foi estimada pela equação CKD-EPI, fórmula: TFG = 141 x min (Scr/?,1) a x max (Scr/?,1)-1.209 x 0.993idade x 1.018 [se mulher] x 1.159 [se negro], onde Scr é o valor de creatinina sérica (mg/dL), k é 0,07 para mulheres e 0,9 para homens, a é -0.329 para mulheres e -0.411 para homens, min indica o mínimo de Scr/? ou 1, e max indica o máximo de Scr/? ou 1.10 A dosagem da albuminúria foi realizada por método turbidimétrico utilizando Kit da Bioclin® K078 (Belo Horizonte/MG - Brasil).

ANÁLISE ESTATÍSTICA

As análises estatísticas foram realizadas utilizando-se o software SPSS 21.0 for Windows (SPSS Incorporated, Chicago, Illinois, Estados Unidos da América, 2006).

Realizou-se análise descritiva das variáveis sociodemográficas, clínicas e laboratoriais utilizadas no estudo.9-16 Para as variáveis categóricas foram feitas tabelas de distribuição de frequências e para as variáveis contínuas foram utilizadas medidas de tendência central e variabilidade. Os dados foram expressos como mediana (intervalo interquartil). Foi testada a distribuição normal das variáveis pelo teste de normalidade Kolmogorov-Smirnov. Os resultados que apresentarem distribuição normal foram comparados por análise de variância, seguida pelo teste de Student Newman-Keuls. Os dados não paramétricos foram comparados por meio do Kruskal-Wallis seguido pelo teste de Dunn. A comparação entre dois grupos foi feita utilizando o método não paramétrico de Mann-Whitney para as variáveis com distribuição não normal. A correlação entre alguns parâmetros estudados foi investigada pelo teste de Spearman. As diferenças foram consideradas estatisticamente significativas com o valor de p < 0,05.

RESULTADOS

O banco de dados foi composto por registros de 243 pacientes. Estes foram distribuídos em grupos de acordo com a doença de base: DM (diabetes mellitus), HAS (Hipertensão Arterial Sistêmica) e HAS/DM (ambas as doenças). As características sociodemográficas e clínicas dos três grupos e do total dos 243 pacientes estão apresentadas na Tabela 1. Os parâmetros laboratoriais dos três grupos de acordo com a doença de base dos 243 pacientes da primeira coleta estão apresentados na Tabela 2.

Tabela 1. Características sociodemográficas e clínicas dos pacientes - primeira coleta
Características DM (n = 49) HAS (n = 144) DM/HAS (n = 50) Total (n = 243)
Idade (anos) 61,0 (54,5-70,0) 62,5 (54,2-71,7) 59,5 (52,0-68,2) 61,0 (54,0-70,0)
Sexo        
Masculino (%) 17 (34,7%) 54 (37,5%) 21 (42,0%) 93 (38,3%)
Feminino (%) 32 (65,3%) 90 (62,5%) 28 (56,0%) 150 (61,7%)
IMC (kg/m2) 26,3 (23,4-29,1) 27,6 (24,2-30,5) 27,8 (24,2-31,4) 27,3 (24,2-30,1)
Pressão arterial        
Pressão sistólica (mmHg) 120 (110-136) 130 (120-140) 125 (114,5-140,0) 130,0 (112,0-114,00)
Pressão diastólica (mmHg) 80,0 (70,0-90,0) 80,0 (70,0-90,0) 80,0 (76,0-90,0) 80,0 (70,0-90,0)
Tabagismo (%) 3 (5,9%) 11 (7,5%) 2 (3,5%) 16 (6,6%)
Uso de bebida alcoólica (%) Sedentarismo (%) 10 (21,0%) 33 (67,6%) 35 (24,4%) 83 (57,5%) 3 (5,7%) 38 (76,4%) 48 (19,8%) 154 (63,4%)
Uso de medicamentos (%)        
ß-bloqueadores 0 28 (14,0%) 6 (12,4)% 34 (14,0%)
Ant. do canal de cálcio 0 53 (27,6%) 2 (2,9)% 55 (22,6%)
ARA 0 6 (4,3%) 0 6 (4,3%)
IECA 0 0 28 (56,5%) 162 (67,0%)
Diuréticos 0 152 (78,4%) 40 (69,8) 192 (78,0%)
Ácido Acetilsalicílico 0 4 (2,6%) 2 (1,9%) 6 (2,5%)
Estatinas 5 (4,9%) 8 (5,6%) 4 (4,2%) 17 (7,0%)
Insulina 4 (3,8%) 0 3 (2,7%) 7 (2,9%)
Secretagogos 37 0 33 (65,8%) 70 (28,8%)
Glitazonas (75,5%) 0 39 (78,1%) 63 (25,9%)
  24 (48,9%)      
Carbonato de Cálcio 2 (4,5%) 2 (1,4%) 1 (2,0%) 5 (2,1%)

Mediana; (Intervalo Interquartil); IMC: índice de massa corporal; DRC: doença renal crônica; ARA: antagonistas dos receptores de angiotensina; IECA: inibidores da enzima conversora de angiotensina; DM: diabetes mellitus; HAS: hipertensão arterial sistêmica.

Tabela 2. Parâmetros laboratoriais dos pacientes segundo a doença de base
Primeira coleta        
  DM (n = 49) HAS (n = 144) DM/HAS (n = 50) Total (n = 243)
TFG ml/min/1,73m2 84,9 (58,0-102,0) 81,4 (58,5-107,6) 83,2 (63,2-110,7) 83,2 (60,0-104,0)
RAC mg/g 4,7 (1,2-48,2) 3,0 (0,9-12,0) 1,5 (0,5-7,9) 3,0 (0,7-13,3)
Segunda coleta        
  DM (n = 16) HAS (n = 36) DM/HAS (n = 11) Total (n = 63)
TFG ml/min/1,73m2 67,4 (44,8-94,0) 82,7 (51,1-101,7) 78,7 (43,8-94,5) 78,7 (51,0-94,6)
RAC mg/g 62,8 (4,8-2001,0) 9,0 (2,5-69,1) 58,2 (3,0-896,0) 22,4 (3,0-200,0)
Pacientes com DRC        
  DM (n = 11) HAS (n = 22) DM/HAS (n = 9) Total (n = 42)
TFG ml/min/1,73m2 58,0 (35,3-74,1) 56,6 (43,0-92,2) 77,3 (43,5-79,5) 60,8 (43,4 -80,7)
RAC mg/g 146,4 (61,0-3896,7) 51,8 (2,8-327,0) 95,0 (15,0-901,1) 68,3 (19,0-817,4)

Mediana (intervalo interquartil). TFG: taxa de filtração glomerular; RAC: Relação albumina/creatinina urinárias; DM: diabetes mellitus; HAS: hipertensão arterial sistêmica.

A prevalência de indício de acometimento renal foi estimada em 36,6%, tendo em vista todos os pacientes que apresentaram algum tipo de alteração nos marcadores utilizados para avaliar lesão renal. Os parâmetros laboratoriais dos três grupos de acordo com a doença de base dos 63 pacientes incluídos na segunda coleta estão apresentados na Tabela 2.

Os pacientes foram também classificados de acordo com a TFG e a RAC quanto às categorias de risco propostas pelo KDIGO 20132 em grupos de G1 a G5 e resultado da razão albumina/creatinina entre A1 a A3, respectivamente (Tabela 3). O prognóstico dos pacientes diagnosticados com DRC encontra-se disposto no Quadro 1.

Tabela 3. Classificação dos 42 pacientes diag nosticados com DRC segundo TFG e R AC
Classificação por TFG N %
G1 (Normal ou alta) 8 19,0
G2 (Ligeiramente diminuída) 13 31,0
G3a (Ligeira a moderadamente diminuída) 9 21,4
G3b (Moder. para severamente diminuída) 6 14,3
G4 (Severamente diminuída) 4 9,5
G5 (Doença Renal) 2 4,8
Classificação por RAC N %
A1 (Normal para pouco aumentado) 12 28,6
A2 (Moderadamente aumentado) 16 38,1
A3 (Severamente aumentado) 14 33,3
Total 42 100,0

DRC: doença renal crônica; TFG: taxa de filtração glomerular; RAC: Razão albumina/creatinina; G1: Grupo1; G2: Grupo 2; G3a: Grupo G3a; G3b: Grupo 3b; G4: Grupo 4; G5: Grupo 5; A1: Albuminúria1; A2: Albuminúria2; A3: Albuminúria3.

Quadro 1. Prognóstico de DRC pelas categorias de albuminúria e TFG dos pacientes diag nosticados com DRC
Prognóstico da progressão da DRC Categorias para Albuminúria persistente Descrição e Estágio
A1 A2 A3
Normal para levemente aumentado Moderadamente aumentado Severamente aumentado
< 30 mg/g < 3 mg/mmol 30-300 mg/g 3-30 mg/mmol > 300 mg/g > 30 mg/mmol
CategoriasTFG (ml/min/1,73m2) G1 Normal ou alta = 90   n = 3 (7,1%) Monitorar n = 5 (11,9%) Referenciar
G2 Ligeiramente diminuída 60 - 89   n = 7 (16,7%) Monitorar n = 6 (14,2%) Referenciar
G3 a Ligeira a moderadamente diminuída 45 - 59 n = 5 (11,9%) Monitorar n = 2 (4,8%) Monitorar n = 2 (4,8%) Referenciar
G3 b Moderadamente para severamente diminuída 30 - 44 n = 3 (7,1%) Monitorar n = 3 (7,1%) Monitorar Referenciar
G4 Severamente diminuída 15 - 29 n = 2 (4,8%) Referenciar n = 1 (2,4%) Referenciar n = 1 (2,4%) Referenciar
G5 Doença Renal < 15 n = 2 (4,8%) Referenciar Referenciar Referenciar

Prognóstico da DRC por TFG e categoria albuminúria. Branco: de baixo risco (se não houver outros marcadores de doença renal, não é DRC); cinza claro: risco moderadamente aumentado; cinza: alto risco; cinza escuro: risco muito elevado. DRC: doença renal crônica; TFG: taxa de filtração glomerular (Adaptado do KDIGO, 2013).2

De acordo com o resultado encontrado na primeira e segunda coleta e a definição de DRC segundo o KDIGO 2013,2 a prevalência de DRC nos pacientes do estudo foi de 17,3%.

DISCUSSÃO

Os resultados mostraram uma prevalência de DRC de 17,3% nos pacientes hipertensos de alto risco para doença cardiovascular e/ou com diabetes cadastrados no programa Hiperdia de uma cidade do interior de Minas Gerais.

A prevalência encontrada contribui para ilustrar a realidade local em um país onde muito pouco se sabe sobre o impacto do diagnóstico precoce da doença renal na evolução da mesma. Estudos nessa área ainda são escassos e muitas das prevalências estimadas indiretamente são procedentes de casuísticas compostas por familiares de pacientes com DRC e indivíduos pertencentes aos tradicionais grupos de risco para as doenças cardiovasculares.17,18

Observou-se que, tanto nos 243 pacientes incluídos na primeira coleta como nos 63 pacientes com indício de acometimento renal e nos 42 diagnosticados com DRC, o grupo prevalente foi aquele composto pelos pacientes com HAS. Identificou-se uma prevalência de DRC de 16,0% em pacientes com HAS sem conhecimento prévio deste diagnóstico por parte destes pacientes. No Brasil (2009), a maior prevalência de DRC foi identificada em grupos de risco que apresentaram HAS estando, em segundo lugar, os pacientes com DM.19 Esses resultados diferem de outros estudos publicados em alguns países, nos quais o principal grupo de risco para DRC é composto por pacientes com DM.2,20,21

Pacientes com diagnóstico recente de DM ou sabidamente diabéticos apresentam chance de 71% e 93%, respectivamente, de desenvolverem DRC, quando comparados aos indivíduos normoglicêmicos.6 Segundo dados do SISHiperdia, entre 1,6 milhão de casos registrados de DM, 7,8% deles apresentam DRC.6 Nos nossos achados, um maior número do que aquele apresentado pela literatura, 20,2% dos pacientes com DM foram diagnosticados com DRC. Há que se considerar que no estudo de Alves Júnior & Bastos6 foram avaliados dados cadastrais e de monitoramento no SISHiperdia, enquanto no presente estudo os dados foram obtidos em coletas agendadas com os pacientes, bem como as dosagens e estimativas dos marcadores foram realizadas pelos próprios pesquisadores, deixando clara a diferença de desenho dos estudos.

De qualquer forma, considerando que os pacientes diagnosticados com DRC não tinham conhecimento deste diagnóstico e nem das suas complicações é possível questionar se, no município estudado, há uma limitação de monitoramento dos pacientes crônicos pelas equipes de saúde.

O uso da creatinina sérica isolada como marcador precoce de lesão renal há muito tempo não tem sido mais aconselhado, embora seja necessária para se calcular a TFG.19,22 Bastos et al.19 demonstraram em seu trabalho que, mesmo com valores de creatinina sérica considerados normais, 15,6% dos indivíduos já se encontravam no estágio G3 da DRC. Os nossos resultados corroboram esses achados, uma vez que a mediana da creatinina sérica estava dentro dos valores de referência considerados fisiológicos de 0,9 e 1,0 para a primeira e segunda coleta, respectivamente, quando já havíamos detectado alterações importantes na TFG e na RAC em muitos desses pacientes.

Muitos casos de DRC não são detectados clinicamente devido aos sintomas sutis e inespecíficos, que levam à realização de exames e relatos de resultados insuficientes.22,23 No Brasil, dados da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais informam uma estimativa de 13,9% dos adultos mineiros (com idade igual ou superior a 20 anos) com DRC em um dos seus estágios.10

No que diz respeito especificamente à classificação do estágio da DRC, a prevalência de pacientes com DRC no estágio G3 e G4 no nosso estudo foi de 35,7% e 9,5%, respectivamente. Em um estudo realizado por Silva & Brune,24 em uma Unidade de Saúde da Família no município de Araguaia, do qual participavam pacientes adultos que eram nele atendidos, foi identificado que 46% dos pacientes se encontravam no estágio G3 da DRC e 2% dos pacientes se apresentavam no estágio G4.

Outro estudo, realizado por Fernandes et al.,25 também em adultos, sem DRC confirmada, apontou que a prevalência de pacientes com TFG < 45mL/min/1,73m2, ou seja, estágio G3 da DRC, foi de 2,3%. Embora esses estudos mostrem uma população diferente daquela estudada por nós, reforçam que ainda é grande o número de pessoas que já apresentam níveis de comprometimento da função renal, porém, sem o devido conhecimento sobre esse diagnóstico e, portanto, provavelmente sem execução das devidas medidas de proteção da função renal.

Em um estudo transversal de base populacional em idosos realizado no Brasil por Dutra et al.,26 a função renal foi avaliada pela TFG estimada pela fórmula CKD-EPI. Identificou-se que a grande maioria dos participantes apresentava algum acometimento renal sem diagnóstico prévio, mesmo que considerado discreto, e 13,6% tinha disfunção renal de grau moderado ou superior.

Essa foi uma constatação semelhante àquela identificada pelos nossos resultados, pois nos pacientes com diagnóstico de DRC do nosso estudo, cuja mediana de idade classificava a maioria deles como idosos, também foi observado um declínio da TFG, com mediana de 60,8 ml/min/1,73m², quando comparada à TFG dos 243 pacientes iniciais, com mediana de 83,2 ml/min/1,73m². Esse achado é preocupante, pois, embora já haja consenso na literatura de que com o passar dos anos ocorre naturalmente uma queda da TFG,27 ainda não se identifica no Brasil um investimento governamental efetivo no sentido de identificar precocemente a doença renal na população de risco ou mesmo na população geral.

Quanto aos valores de albuminúria, como já descrito, alguns autores têm demonstrado a relevância da utilização da RAC urinária como método de triagem para albuminuria.2,28 Em estudo realizado com 262 indivíduos, 23 portadores de DM e o restante saudável, todos atendidos pela Estratégia da Saúde da Família do Distrito Leste de Goiânia, avaliou-se a função renal e mostrou-se que 34,8% dos pacientes com diabetes obtiveram RAC urinária aumentada.29 Nos nossos achados 40,8% dos pacientes com DM também tiveram a RAC aumentada. Esses dados indicam que em pacientes diabéticos há uma possibilidade iminente de aumento dos níveis RAC e, portanto, esses níveis devem ser investigados a fim de se possibilitar um diagnóstico mais precoce de DRC.

Embora os marcadores de função renal citados até o momento (TFG estimada e a RAC) já fossem classicamente reconhecidos pela literatura, a grande novidade trazida pelo KDIGO2 foi a avaliação do prognóstico por meio da associação das categorias de estágios de DRC definidos pela TFG estimada com os níveis de albuminúria determinados pela RAC. Considerando essa classificação, a frequência de pacientes que necessitariam de monitoramento ou referenciamento dos 243 pacientes iniciais, dos 63 incluídos na segunda coleta e dos 42 diagnosticados com DRC são respectivamente de 28,8% e 7,8%; 31,8% e 34,9%, 47,6% e 52,4%.

Esses valores mostram a grande quantidade de pacientes que já deveriam estar sendo monitorados ou referenciados pela equipe multidisciplinar ou equipe de Nefrologia. Entretanto, no município estudado, esse monitoramento parece limitado e os agravos referentes à progressão da DRC aumentam exponencialmente. Muitos desses pacientes, principalmente aqueles com prognóstico de risco muito elevado para a progressão de DRC, têm grande possibilidade de iniciar uma terapia renal substitutiva em curto prazo.

CONCLUSÃO

Os resultados deste estudo evidenciaram a prevalência de 17,3% de DRC em pacientes hipertensos de alto risco para doenças cardiovasculares e diabéticos cadastrados no programa Hiperdia de um município de médio porte de Minas Gerais. Além disso, demonstram um índice alto de pacientes que necessitariam de monitoramento e referenciamento junto à equipe especializada e que nem sequer tinham consciência do diagnóstico.

Registra-se que o fato desse estudo não ser longitudinal limita os resultados a uma época específica. Nesse sentido, estudos epidemiológicos longitudinais que avaliem a prevalência da DRC na população em geral e principalmente em grupos de risco tornam-se importantes a fim de reduzir o número de pacientes que necessitam de terapia substitutiva da função renal.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem o apoio financeiro concedido pela FAPEMIG e CNPq.

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