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Artigo Original

Fatores de risco para a progressão da doença renal crônica após a lesão renal aguda

Risk factors for the progression of chronic kidney disease after acute kidney injury

Benedito Jorge Pereira; Silvana Barreto; Thais Gentil; Larissa S. Assis; Emília MD Soeiro; Isac de Castro; Sandra M. Laranja

DOI: 10.5935/0101-2800.20170041

RESUMO:

INTRODUÇÃO: A incidência da doença renal crônica (DRC) está aumentando com o aumento da idade da população e o número crescente de idosos sobreviventes da lesão renal aguda (LRA). Os fatores de risco para a progressão da DRC após a lesão renal aguda (LRA) não são claros.
OBJETIVOS: Investigar a associação entre a LRA e sua progressão para a DRC e os fatores de risco envolvidos.
MÉTODOS: Foi realizado estudo observacional, retrospectivo de pacientes com LRA acompanhados de 2009 a 2012. Foram avaliados a etiologia da LRA, o uso de drogas vasoativas, ventilação mecânica, necessidade de diálise, presença de morbidades associadas, ritmo de filtração glomerular estimado (eGFR), duração da internação e a progressão da DRC. As análises estatísticas incluíram o teste Qui-quadrado e a correlação de Pearson utilizando o programa do SPSS.
RESULTADOS: Os 207 pacientes analisados apresentaram idade de 70,1 ± 13,1 anos, 84,6% eram do sexo masculino e que apresentaram redução da função renal e DRC (vs. 60,4% dos pacientes do sexo feminino). A progressão da LRA para DRC foi mais frequente em pacientes internados em enfermarias (63,8%), pacientes com câncer (74,19%), com sepse (67,18%) e com obstrução do trato urinário (91,66%). As dialises foram realizadas em 16,4% dos pacientes, mas isso não foi correlacionado com a progressão da DRC.
CONCLUSÕES: Pacientes idosos com LRA devido à sepse e obstrução do trato urinário foram correlacionados com a progressão para DRC após a alta.

Palavras-chave:
Lesão renal aguda; nefropatias; falência renal crônica; diálise renal; diálise.

ABSTRACT:

INTRODUCTION: The incidence of chronic kidney disease (CKD) is increasing with the increasing age of the population and the increasing number of elderly survivors of acute kidney injury (AKI). The risk factors for the progression of CKD after AKI are unclear.
OBJECTIVE: To investigate the association between AKI and its progression to CKD and the risk factors involved.
METHODS: An observational, retrospective study of AKI patients followed from 2009 to 2012 was carried out. We evaluated the etiology of AKI, the use of vasoactive drugs and mechanical ventilation, the need for dialysis, the presence of comorbidities, the glomerular filtration rate (GFR), the length of stay and the progression of CKD. Statistical analyses, including the Chi-square test and Pearson's correlation, were performed using SPSS.
RESULTS: The 207 patients analyzed had a mean age of 70.1 ± 13.1, and 84.6% of the male patients exhibited decreased renal function and CKD (vs. 60.4% of the female patients). The progression of AKI to CKD was more frequent in patients admitted to wards (63.8%), cancer patients (74.19%), patients with sepsis (67.18%) and patients with obstruction (91.66%). Dialyses were performed in 16.4% of the patients, but this was not correlated with the progression of CKD.
CONCLUSIONS: Being an elderly male patient with AKI due to sepsis and obstruction was correlated with progression to CKD following discharge.

Keywords:
acute kidney injury; kidney diseases; kidney failure, chronic; renal dialysis; dialysis.

FIGURAS

Citação: Pereira BJ, Barreto S, Gentil T, Assis LS, Soeiro EM, Castro I, et al. Fatores de risco para a progressão da doença renal crônica após a lesão renal aguda. Braz. J. Nephrol. (J. Bras. Nefrol.) 39(3):239. doi:10.5935/0101-2800.39-03-0239
Recebido: November 06 2016; Aceito: December 05 2016

INTRODUÇÃO

A injúria renal aguda (IRA) é uma das complicações mais significativas em pacientes criticamente doentes, contribuindo para mais da metade das mortes,1-5 aumentando o tempo de internação hospitalar (TIH) dos pacientes e o risco de morte, e está associada à necessidade de terapia renal substitutiva (TRS).1,2,6-11

Os indivíduos que sobrevivem a um episódio de IRA estão em risco de desenvolvimento de doença renal crônica (DRC) e podem avançar para estágios mais avançados da mesma.2,3,6-9,12-15 Uma metanálise publicada por Coca et al.14 mostrou que a IRA é um fator de risco independente para o desenvolvimento de morbidade por doença renal terminal (DRT) e mortalidade por doença cardiovascular.

Os fatores de risco relevantes para a progressão de IRA para DRT incluem a necessidade de TRS, gravidade da IRA, envelhecimento e diabetes.16-22 No entanto, o mecanismo pelo qual a IRA leva à DRC progressiva não é totalmente compreendido, os estudos pré-clínicos apontam para possíveis mecanismos, tais como lesão endotelial aguda e perda de néfrons, e o grau de fibrose tubulointersticial é o melhor preditor de DRT.1,7,17,23

Estudos clínicos realizados para obter melhores informações sobre a progressão da IRA para DRT representam uma contribuição significativa para a compreensão da relação entre a IRA e DRC.7,21,22 Neste trabalho, nosso objetivo foi investigar a associação entre IRA e DRC, e os fatores de risco envolvidos no desenvolvimento de DRC.

CASUÍSTICA E MÉTODOS

Os pacientes com IRA acompanhados pela Divisão de Nefrologia do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo, Brasil de 2009 a 2012 foram avaliados retrospectivamente. Um total de 1.200 pacientes foram avaliados com base nos formulários de encaminhamento; os pacientes que morreram durante o período de seguimento e os pacientes com DRC no estágio 5 foram excluídos. Os seguintes dados foram avaliados: etiologia da IRA, uso de drogas vasoativas, ventilação mecânica por mais de 48 horas, necessidade de TRS e presença de comorbidades.

As taxas de filtração glomerular (TFG) foram estimadas usando a Equação de Colaboração Epidemiológica Crônica da Doença Renal (CKD-EPI) em pacientes cujos níveis basais de creatinina foram medidos à admissão, no momento da alta e durante seguimento ambulatorial; a necessidade de diálise, a duração de IRA e o TIH também foram registrados. Os desfechos avaliados foram: morte e progressão para DRC. Nos pacientes com TFG <60 ml/min, o estágio da DRC foi classificado de acordo com os critérios da KDIGO,24 e a progressão para fases posteriores da DRC foi avaliada após a alta hospitalar.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa.

Para as análises estatísticas, as variáveis ??qualitativas foram resumidas em frequências absolutas (n) e relativas (%), e as variáveis ??quantitativas em termos de média, desvio-padrão (DP), medianas e valores mínimos e máximos. As associações entre desfechos clínicos (alta ou morte) e as variáveis ??de interesse foram investigadas usando o Teste Qui-quadrado de Pearson ou o Razão de Probabilidades. O nível de significância foi definido em 0,05 para todos os testes; as análises foram realizadas usando o SPSS versão 15.0 para Windows (Pacote Estatístico para Ciências Sociais, SPSS Inc., Chicago, IL, EUA).

RESULTADOS

Um total de 1.200 formulários de seguimento, de 2009 a 2012, que estavam disponíveis na Divisão de Nefrologia do HSPE foram avaliados; 993 casos foram excluídos porque cumpriram os critérios de exclusão. Um total de 207 pacientes foram incluídos na análise. A idade média foi de 70,1 ± 13,1 anos, e 53,6% dos pacientes eram do sexo masculino. A duração média da IRA foi de 10 dias; a média do TIH foi de 21 dias; O tempo até um acompanhamento por um nefrologista foi de 6 dias; e o período de sobrevida após a alta foi de 103 dias. Estes dados estão descritos na Tabela 1.

Tabela 1. Características clínicas de pacientes com ira durante internação hospitalar (n = 207)
Idade (anos) 70.15 ± 13.15
Masculino (n = 111) 53.6%
Duração da IRA (dias) 10 (1-219)
Duração da internação (dias) 21 (1-369)
Seguimento por nefrologistas (dias) 6 (1-93)
Sobrevida após a alta (dias) 103 (7-1416)

O nível de creatinina sérica (CrS) antes do seguimento na Divisão de Nefrologia foi de 1,27 ± 0,41 mg/dl (TFG = 56,3 ± 4,7 ml/min). Os níveis de CrS à admissão: 2,89 ± 2,68 mg/dl); no momento da alta: 1,66 ± 0,85 mg/dl; e após a alta (1,84 ± 1,25 mg/dl) estão apresentados na Tabela 2.

Tabela 2. Níveis de creatinina e tfge durante o acompanhamento de pacientes com ira (n = 207)
  CrS (mg/dl) CKD-EPI (ml/min)
Basal 1,27 ± 0,41 56,3 ± 4,7
À internação 2,89 ± 2,68 23,2 ± 5,3
Alta 1,66 ± 0,85 44,2 ± 16,1
Após a alta 1,84 ± 1,25 46,5 ± 10,1

A progressão para DRC de pacientes com IRA após a alta ocorreu, em ordem de frequência decrescente, em pacientes internados em enfermarias (63,8%), pacientes internados na UTI (20,3%), e pacientes internados no pronto socorro (15,9%) (Figura 1).

Durante a internação hospitalar, 34 pacientes (16,4%) necessitaram de diálise. A mortalidade após a alta foi de 53%, 63% e 70,58% em pacientes que necessitaram de TRS, pacientes com ventilação mecânica e pacientes com choque séptico, respectivamente. Houve correlação significativa entre a mortalidade e mais de um episódio de IRA após a admissão hospitalar (Tabela 3).

Tabela 3. Correlação entre complicações clínicas de pacientes com ira durante internação e mortalidade após a alta
Complicações N % p
Diálise 18 (53,00) 0,92
Agentes vasoativos 25 (62,50) 0,14
Ventilação por mais de 48 horas 19 (63,33) 0,18
Choque séptico 24 (70,58) 0,19
Mais de um episódio de IRA quando da internação 2 (20,00) 0,037

O uso de drogas vasoativas, a necessidade de ventilação mecânica por mais de 48 horas, o choque séptico e a necessidade de diálise não apresentaram correlação com a progressão da DRC nesses pacientes (Tabela 4).

Tabela 4. Correlação entre complicações clínicas durante a hospitalização e a progressão para drc baseado na última tfg estimada
Complicações Total n = 2017 (%) CKD-EPI (ml/min) n = 152 (%) p
Agentes vasoativos 40 (19,00) 26 (65,00) 0,066
Ventilação por mais de 48 horas 30 (14,50) 20 (66,67) 0,36
Choque séptico 34 (16,42) 23 (67,64) 0,45
Necessidade de diálise 34 (16,42) 26 (76,47) 0,28

A progressão da AKI para CKD foi mais frequente em 84,68% de pacientes do sexo masculino, admitidos em enfermarias (63,8%), pacientes com câncer (74,19%), pacientes com sepse (67,18%) e pacientes com obstrução (91,66%) (Tabela 5).

Tabela 5. Correlação entre características clínicas e progressão para drc de pacientes com ira, segundo a última ckd-epi registrada
  Todos os pacientes CKD-EPI < 60 ml/min p
  N = 207 % N = 152 %
Gênero          
Feminino 96 (46,37) 58 (60,41)  
Masculino 111 (53,63) 94 (84,68) 0,01*
Comorbidades          
Hipertensão 132 (64,10) 97 (73,48) 0,57
Diabetes 57 (27,70) 47 (82,45) 0,06
Doença vascular 34 (16,40) 22 (64,70) 0,17
Insuficiência cardíaca 37 (17,90) 28 (75,67) 0,20
Câncer 31 (15,00) 23 (74,19) 0,01*
Cirrose 15 (7,20) 13 (86,66) 0,06
Nefrolitíase 12 (5,80) 10 (83,33) 0,28
Outras causas 18 (8,70) 15 (83,33) 0,32
Ambiente hospitalar          
Enfermarias 132 (63,80) 105 (79,54) < 0,04*
UTI 41 (20,30) 25 (59,52)  
Pronto Socorro 33 (15,90) 22 (66,55)  
Causa da injuria renal aguda          
Nefrotoxicidade 23 (11,10) 18 (78,26) 0,54
Pré-renal 88 (42,51) 66 (75,00) 0,49
Obstrutivo 24 (11,60) 22 (91,66) 0,3*
Sepse 68 (32,85) 43 (67,18) 0,01*
Infecção do trato urinário 25 (12,10) 19 (76,00) 0,35
Nefrite Intersticial Aguda 7 (3,50) 4 (57,14) 0,30
Isquemia 5 (2,40) 3 (60,00) 0,16
Outras causas 23 (11,10) 18 (78,26) 0,40

* p < 0,05.

A morte ocorreu em 55,3% dos pacientes internados em enfermarias (p = 0,06) e 57,35% dos pacientes cuja IRA foi causada por sepse (p = 0,06). Doença vascular (70,58%), câncer (70,96%) e nefrolitíase (8,33%) foram fatores significativamente associados a esse desfecho (p = 0,01, p = 0,02 e p = 0,02, respectivamente) (Tabela 6).

Tabela 6. Correlação entre características clínicas e mortalidade em pacientes com ira (n = 207)
  Todos os pacientes Mortes p
  N = 207 % N = 108 %
Gêneros          
Feminino 96 (46,37) 58 (47,20)  
Masculino 111 (53,63) 57 (52,80) 0,76
Comorbidades          
Hipertensão 132 (64,10) 66 (50,00) 0,45
Diabetes 57 (27,70) 28 (49,12) 0,61
Doença vascular 34 (16,40) 24 (70,58) 0,01*
Insuficiência cardíaca 37 (17,90) 21 (56,75) 0,53
Câncer 31 (15,00) 22 (70,96) 0,02*
Cirrose 15 (7,20) 10 (66,67) 0,24
Nefrolitíase 12 (5,80) 1 (8,33) 0,02*
Outras causas 18 (8,70) 8 (50,00) 0,84
Ambiente hospitalar          
Enfermarias 132 (63,80) 73 (55,30) 0,06
UTI 41 (20,30) 26 (63,41)  
Pronto socorro 33 (15,90) 9 (0,27)  
Causa da injuria renal aguda          
Nefrotoxicidade 23 (11,10) 10 (43,48) 0,65
Pré-renal 88 (42,51) 45 (51,00) 0,79
Obstrutiva 24 (11,60) 15 (62,50) 0,28
Sepse 68 (32,85) 39 (57,35) 0,06
Infecção do trato urinário 25 (12,10) 11 (44,00) 0,38
Nefrite Intersticial aguda 7 (3,50) 3 (42,85) 0,61
Isquemia 5 (2,40) 3 (20,00) 0,14
Outras causas 23 (11,10) 11 (47,80) 0,65

* p < 0,05.

Entre os 142 pacientes cuja IRA evoluiu para DRC, as alterações entre estágios de DRC durante a internação foram avaliadas durante a alta com base na última análise registrada da CrS. Os resultados mostraram que a DRC avançou em dois estágios, e um estágio em 11,3% e 19% dos pacientes, respectivamente. O estágio da doença não mudou, regrediu em um estágio e em dois estágios em 23,2%, 10,6% e 4,9% dos pacientes, respectivamente (Figura 2).

As mudanças no estágio da DRC que ocorreram após a alta hospitalar, com base no último valor da CrS antes da morte, mostrando que a doença avançada por dois estágios, avançada por um estágio, não mudou de estágio, regrediu em um estágio e regrediu em dois estágios em 14,1%, 14,1%, 18,3%, 19,7% e 2,8% dos pacientes, respectivamente (Figura 3).

DISCUSSÃO

Existem poucos dados sobre a progressão a longo prazo da DRC em pacientes hospitalizados que sobreviveram a um episódio de IRA e não foram submetidos à diálise aguda.18 Vários estudos incluíram pacientes internados na UTI, enquanto outros estudos incluíram apenas pacientes com IRA grave ou indivíduos que necessitaram de TRS. 25

A idade média da população analisada no presente estudo foi de 70,15 ± 13,15 anos, que é semelhante às idades relatadas por outros autores.18,25-28 Além disso, os pacientes idosos têm uma qualidade de vida pior, e reduziram seu estado funcional após a IRA; que são fatores que contribuem para resultados adversos.29,30 A IRA deveu-se a obstrução em 11,6% dos pacientes no presente estudo e foi associada à progressão para DRCC em 91,66% dos pacientes.31

Em nosso estudo, a duração média da IRA foi de 10 dias e variou entre 1 e 219 dias. Tais achados concordam com outros relatórios na literatura, que também descrevem durações mais longas, porque a doença ocorre em pacientes idosos com várias comorbidades e complicações clínicas durante o curso de IRA.32-35

Entre os sobreviventes das IRA, o período médio de tempo até o acompanhamento por nefrologistas foi de 6 dias; esse valor pode ser considerado baixo em comparação com o TIH (21 dias), mas está de acordo com a duração média da IRA (10 dias). Esses achados sugerem que a IRA não ocorreu cedo durante a hospitalização. O seguimento por nefrologistas após a alta tem um impacto significativo na duração da IRA e na mortalidade dos pacientes25.

A evidência de estudos epidemiológicos sugere que idade avançada aumenta as chances da função renal basal não se recuperar após um episódio de IRA no momento da alta.22 Em nosso estudo, descobrimos que a CrS estava elevada antes da alta em comparação com a CrS antes da admissão - segundo vários autores que observaram que o envelhecimento reduz a capacidade de recuperação renal após a IRA.30,36-38

Como nosso estudo avaliou os sobreviventes da IRA, a população admitida nas enfermarias foi a mais representativa, e esteve significativamente associada à progressão da DRC (p <0,04); esta população também tendeu a ter maior mortalidade após a alta (p = 0,06). A maioria dos pacientes analisados ??não estava gravemente doente, e poucos pacientes necessitaram de internação na UTI. A falta de gravidade da doença pode ser o motivo pelo qual esses pacientes receberam alta ??e, portanto, desenvolveram DRC ou apresentaram agravamento da função renal, conforme relatado em outros estudos que acompanharam pacientes críticos com IRA.39-41

A IRA pós-renal, causada pela obstrução do trato urinário, geralmente é observada em pacientes idosos.27 No nosso estudo, a IRA obstrutiva esteve significativamente associada à progressão da DRC, uma vez que a obstrução do trato urinário é uma causa significativa de IRA. Quando a obstrução estiver completa, a lesão renal ocorre dentro de 12 a 24 horas; no entanto, as repercussões do dano permanente e da recuperação da função renal dependem da duração e grau da obstrução, do estado da função renal anterior e da presença de comorbidades ou infecção.27,42 Estes dados também são compatíveis com relatos de estudos usando modelos de fibrose renal após obstrução ureteral.43,44

A IRA induzida por sepse é uma ocorrência comum na UTI e, em nosso estudo, a incidência de sepse foi de 32,85%, e foi associada a 57,35% da mortalidade após a alta (p = 0,06), e a progressão para DRC em 67,18% dos casos (P = 0,01).45,46

Apesar do número relativamente grande de indivíduos monitorizados após a alta, nosso estudo teve várias limitações. Este foi um estudo observacional retrospectivo, realizado em um único centro. Além disso, incluiu apenas pacientes com registros disponíveis de CrS que haviam sobrevivido a um episódio de IRA, sem considerar seu grau de gravidade.

CONCLUSÕES

A ocorrência de IRA foi associada ao desenvolvimento de DRC ou progressão para estágios mais avançados de doença renal entre pacientes com GFR <60 ml/min antes da IRA, pacientes com câncer, com IRA induzida por septicemia ou obstrutiva, e pacientes que foram admitidos em enfermarias hospitalares. Pacientes com neoplasias ou doenças vasculares apresentaram as menores taxas de sobrevida após a alta. Estudos clínicos randomizados prospectivos são necessários para investigar mais detalhadamente os impactos de intervenções únicas ou múltiplas, antes e após a IRA, sobre a necessidade de diálise crônica e mortalidade.

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